segunda-feira, 13 de julho de 2009

Escola de Pais.nee






I. Introdução
A escola de pais apresenta-se com um espaço de formação para famílias de crianças com necessidades especiais, técnicos e comunidade em geral, onde será desenvolvido um programa curricular de educação emocional e bem-estar, trabalhado conjuntamente com outros temas transersais: estratégias de intervenção e educação para a criança e a construção de competências parentais.
II. Justificação da existência da escola
Um estudo realizado aqui no distrito (Celmira Macedo, 2006) vem expor as necessidades de um grupo particular de famílias (família de crianças com necessidades especiais), cuja vulnerabilidade de estarem expostas a estímulos produtores de tensão emocional é substancialmente superior a todas as outras.

As fragilidades nas redes de apoio formal, a falta de apoio psicológico que ajude as famílias as ajude a viver e ultrapassar o luto; as dificuldades emergentes da falta de articulação entre os diferentes serviços sociais; o aumento das despesas do sistema familiar e o pouco apoio económico que lhes é atribuído para que consigam fazer face às exigências da reabilitação da criança; os constantes problemas na integração/inclusão das crianças na escola e na sociedade; a falta de recursos especializados para estas crianças tendo muitas delas de se deslocar mais de 300 km para frequentar terapias conducentes com as necessidades das crianças; e a tensão no trabalho quando têm de faltar par acompanhar as crianças aos sistemas de saúde, são apenas alguns exemplos dessa vulnerabilidade.

A relação entre o bem-estar e qualidade de vida das famílias com a existência de redes de apoio formal funcionais e consistentes é um assunto amplamente investigado e algo da atenção de muitos teóricos e investigadores de renome internacional (Turnbull, 2003; Verdugo y Schalock, 2001…). Parece também ainda existir uma correlação entre a qualidade destes serviços e a adaptação inicial ao diagnóstico (Navarro Góngora, 2000). Certo é que, as redes de apoio ajudam as famílias na satisfação das suas necessidades, principalmente no desenvolvimento pessoal, busca de serviços e inclusão social. Pelo contrário a falta deles gera angústia e revolta e estados emocionais frágeis que fazem despoletar a vivência crónica de emoções negativas como ira (direccionada contra o sistema e os serviços), ansiedade (causada com o medo de não conseguir satisfazer as necessidades do sistema familiar) e depressão (agudizada pelo não acompanhamento psicológico para trabalhar o luto).

A nossa preocupação incide nas evidências existentes de que as emoções negativas, especialmente as três que referimos anteriormente, têm efeitos tóxicos e negativos para a saúde física e mental (Fernandez-Abascal & Palmero, 1999; Salovey, 2001, Bisquerra, 2002). E que, senão forem prevenidas podem derivar em estados emocionais stressantes e destrutivos, promotores de várias doenças (Cousins 1976).

O tratamento dos efeitos psicopatológicos das emoções negativas realiza-se através de psicoterapia emocional, no entanto este não é o nosso propósito. Defendemos que tal como nos diz a sabedoria popular “mais vale prevenir que remediar”, por isso iremos incidir a nossa actuação na numa área preventiva.
Neste caso a que melhor reflecte os nossos objectivos é a área da educação emocional, uma vez que, tem como objectivo prevenir os efeitos das emoções negativas, antes que estas sejam irreversíveis e patrocinar o desenvolvimento das emoções positivas.

Num contexto familiar onde existam crianças, formar pais emocionalmente competentes, será uma mais-valia, pois cuidar bem de si mesmos será o primeiro passo para cuidar bem dos filhos.
Assim sendo, a nossa aposta num programa de educação emocional, reflecte-se na simplicidade das palavras de Bisquerra (2001), ao referir que de facto não podemos mudar as pessoas, nem ignorar a difícil situação em que se encontram, mas podemos sempre ensiná-las a decidir qual vai ser a sua atitude perante os problemas. Podemos sempre ajuda-las a decidir como os acontecimentos negativos as vão afectar.

III. Objectivos:
1. Conhecer o funcionamento do sistema familiar:
2. Dominar o quadro conceptual das emoções:3. Adquirir um melhor conhecimento das suas próprias emoções:
4. Aprender a regular as próprias emoções:
5. Desenvolver a habilidade de auto motivar-se:
6. Desenvolver capacidades de auto confiança:
7. Desenvolver relações de empatia nas relações pessoais e sociais:
8. Desenvolver competências parentais:

IV. Conteúdos
Os conteúdos e actividades que constam do programa têm como principal objectivo potenciar o desenvolvimento emocional e parental de cada um dos participantes.
1. A família da criança com NEE
2. As emoções
3. Consciência emocional (Auto-consciência)4. Regulação das emoções (Auto-regulação)5. Motivação (Auto-motivação e optimismo)
6. Auto-estima
7. Habilidades sócio emocionais (Empatia)
8. Habilidades da vida

V. Temporização da realização das actividadesEste programa (curso) decorrerá durante vários meses, com a duração de 30 a 50 horas, distribuídas por duas horas, uma vez por semana.

VI. Destinatários:
Grupos de 20/25 participantes, dando preferência a pais de crianças com necessidades especiais.

A Formadora e criadora do Projecto:
Celmira da Conceição Madureira Macedo


Para criarem no vosso concelho uma escola de pais enviem um email para: celmiramac@gmail.com

8 comentários:

  1. Se todas as pessoas tivessem a tua persistência, perseverança, entusiasmo, inteligência e capacidade de de colocar o seu trabalho em prol do dos outros, o mundo seria, garantidamente, um local bem mais apetecivel para TODA a gente viver

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  2. Depois de ler o comentário anterior, fiquei sem palavras. Subscrevo inteiramento.
    Parabéns e faço votos para que nunca páres.

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  3. Desde Madrid te mando todo mi apoyo y el ánimo para que perdure durante mucho tiempo este proyecto educativo tan interesante e impresionante¡¡
    Mis mejores deseos¡¡
    Laura Seco ( tu compañera de doctorado Salamanca)Besos

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  4. Esta foi a resposta ao email que enviei para divulgação da Escola de Pais ao Professor Doutor Bisquerra da Universidade de Barcelona (um dos maiores investigadores na área da Educação Emocional):

    "Muchas gracias por la información.
    Me parece muy bien la web y la iniciativa de una escuela de padres. Es magnífico.
    Cordiales saludos y mucho éxito."

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  5. Como formanda na escola de pais, resta-me desejar que esta excelente oportunidade que me foi dada, possa chegar ao maior número de pessoas possível, para que outros, possam usufruir da conscialização e importância que as emoções têm na nossa vida laboral e privada, gerindo-as de uma forma mais eficaz e positiva.
    Lurdes Nunes

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  6. Aquilo que mais preocupa os pais, é o que acontecerá quando já não puderem ou não estiverem cá.
    Como pai de uma criança com NEE, não concebo a ideia de um dia ter que me separar do meu filho, por melhor que seja a instituição de acolhimento.Só a morte me separará dele!
    Como frequenta uma instituição de ensino, surge todos os anos o problema das férias: Onde e com quem deixar as crianças, e a que preço?
    Muitos pais resolvem o problema recorrendo aos avós. Mas, e as crianças com necessidade de acompanhamento especial?
    Eis que alguém tem a ideia de criar uma instituição com as características da LEQUE, que vem de encontro às reais necessidades destas crianças, e dos pais.
    Mas a ideia foi apenas o primeiro passo. Os seguintes teremos de dá-los nós, pais, colaborando com a mentora do projecto.
    Bem haja por tudo o que tem feito por nós.
    Um abraço.
    Duarte

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  7. Parece-me sempre curto, o período de formação onde estou a aprender/reaprender a gerir emoções, partilhar vivencias, aprender com os presentes; pensando de uma forma mais consciente nas acções emotivas como pessoa privada e como profissional da educação. Aprender como num “simples gesto", podemos melhorar no dia-a-dia e proporcionar proporcionando-nos, momentos de franca expansão emocional e qualidade de vida pessoal e social. Conhecer-me melhor, ou reflectir sobre este auto-conhecimento, faz parte de uma aprendizagem nem sempre pacífica, mas, necessária neste processo. Mais uma vez, obrigada pela oportunidade de frequentar a Escola de Pais.
    A formanda, Maria Fernandes

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  8. Olá a todos..
    Já há dias que leio e volto a ler estas páginas, vejo os vídeos relacionados com a escola de Pais e a Leque e acho-os todos fabulosos!!! Ainda bem que há pessoas com iniciativas com a Celmira, que sem dúvida é (apesar de eu não a conhecer) uma grande Mulher!!
    Um bem-haja a todos e continuação de um excelene trabalho!!
    Silina Ribeiro

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